Artesanato: Renda de bilro, redes de pesca, tarrafas e cerâmicas utilitárias

O artesanato está muito vinculado à produção da vida material, que era centrada na pesca, agricultura e afazeres domésticos. As formas mais comuns do artesanato local são o trançado, a cerâmica e o tear.

Renda de Biro

Entre as suas principais manifestações estão a renda-de-bilro e a rede de pesca. “Onde há rede, há renda”, diz o antigo ditado português. Em relação à renda, há grande variedade de tamanhos e formas. Entre as mais expressivas contam-se a renda Céu Estrelado (peça única com bico de pato em ponto torcido e paninho), a renda bicuda (roda de bico-de-pato, com seu centro em ponto-de-trança, ponto torcido e ponto puxado), geralmente produzida em jogos de várias peças; a Renda de Arco (bico-de-leque com o centro das peças – que atingem até mais de um metro de diâmetro – em arco de meio ponto), feita em grande variedade de tamanhos e formas geométricas. Destaca-se também a renda Tramoia, tecida com sete pares de bilros, em peças únicas e grandes, geralmente usadas como colchas, trilhos ou toalhas de banquete.


A renda de bilro surgiu no século XV, na Itália sob a denominação de “punto in aere” (ponto no ar).
Mais tarde a arte da renda chegou à França, na Corte do Rei Luís XIV, a Portugal e a toda a Europa.
A partir do século XVII entrou em decadência. Nos Açores, o artesanato se manteve forte, de onde foi trazido para o Brasil. Hoje nos Açores a renda de bilro está praticamente desaparecida tendo permanecido a renda de agulha.
No começo as mulheres utilizavam cipós e fibras vegetais na arte de cestaria, na construção de redes, até que se desenvolveu as artes de costura, bordado e renda, com a invenção de agulha de coser e dos fusos.
Evoluindo do bordado, a renda de bilro ou almofada, diferencia-se dele por ser executada com os pontos no ar, sem o tecido preexistente. São fios presos por uma extremidade a uma das pontas do bilro e outra fincada por alfinetes, num pique (papelão onde estão os desenhos da renda já furados) em cima de uma almofada.
Os materiais utilizados em sua confecção são os fios como matéria-prima e os instrumentos de trabalho como os bilros de madeira, a almofada, alfinetes e o pique.
É a maior expressão do artesanato local devido à forte presença açoriana em Santa Catarina. A arte da confecção da renda de bilro espalha-se por todo o litoral brasileiro, especialmente nas praias habitadas por pescadores. Em todo o litoral catarinense se encontram núcleos de rendeiras, com destaque para Florianópolis. Na ilha, essa arte é produzida e comercializada pelas rendeiras de quase todas as comunidades. Com especial destaque para Ponta Grossa (Praia do Forte), Ratones, Sambaqui, Ribeirão da Ilha, Rio Tavares, Lagoa da Conceição, Ponta das Canas, Pântano do Sul e Rio Vermelho. Em matéria de artesanato de tradição popular, as rendas da Ilha de Santa Catarina vêm se mantendo através dos anos despertando o interesse de pessoas que levam como recordação de Florianópolis. Há alguns anos se começou a aplicar rendas em trajes femininos, bem como a utilização de seus desenhos em cerâmicas e outros artesanatos.

Cerâmica

Até os anos de 1970, os mais pobres utilizam louças de cerâmica confeccionadas nas olarias de São José (município vizinho, no continente). Metade deste largo da alfândega era mar até 1974, quando foi feito o aterro da baía sul. Estes espelhos d’água estão localizados onde antes era mar. Aqui no Largo da Alfândega os oleiros, que vinham de canoa de São José, expunham suas peças de cerâmica. Era tradicional os fogões e loucinhas de barro para criança. Não havia menina que  não tivesse suas loucinhas de barro compradas no Largo da Alfândega. Havia panela, alguidar, prato, copo, boião, moringa, tudo feito de barro e utilizado pela maioria da população.

 

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